Desde que foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2017, Alexandre de Moraes se tornou uma das figuras centrais da institucionalidade brasileira. Indicado pelo então presidente Michel Temer, Moraes chegou à Corte com histórico de atuação no Executivo — havia sido ministro da Justiça e secretário de Segurança Pública em São Paulo — e uma longa carreira no Direito Constitucional. Mas foi no STF, e especialmente durante os anos de maior tensão democrática, que seu protagonismo ganhou contornos históricos.
Durante a pandemia de Covid-19, Moraes alinhou-se à maioria da Corte no esforço de garantir que estados e municípios tivessem autonomia para adotar medidas sanitárias, mesmo diante da resistência do governo federal. A atuação do STF nesse período foi crucial para evitar o colapso das redes públicas de saúde em várias regiões do país. Moraes, em particular, destacou-se por votos firmes em defesa da ciência, do SUS e do princípio federativo.
O ministro também ganhou destaque ao assumir, em 2022, a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em um dos momentos mais sensíveis da história recente do país. Foi sob seu comando que o TSE enfrentou uma onda inédita de desinformação contra o sistema eletrônico de votação, alimentada diretamente por discursos oficiais do então presidente Jair Bolsonaro e seus aliados. Moraes endureceu o combate às fake news eleitorais, determinando a remoção de conteúdos falsos, ampliando os canais de denúncia e atuando em parceria com as plataformas digitais. Sua firmeza garantiu a estabilidade do pleito presidencial e a integridade do processo eleitoral — mesmo diante de ameaças explícitas à democracia.
O ápice do embate institucional veio com o avanço do chamado Inquérito das Fake News, do qual Moraes é relator desde 2019. O inquérito investiga a existência de milícias digitais organizadas para atacar o STF, disseminar mentiras, ameaçar autoridades e fomentar atos golpistas. A investigação, inicialmente vista com reservas, acabou sendo reconhecida como essencial para mapear e conter as engrenagens que buscavam corroer as instituições democráticas por dentro.
A reação dos setores extremistas não tardou. Em 2023, revelações do entorno da Polícia Federal e das Forças Armadas mostraram que Alexandre de Moraes era um dos alvos centrais de um plano golpista que previa sua execução sumária, juntamente com o vice-presidente Geraldo Alckmin e o presidente Lula. O nome de Moraes constava em documentos e relatórios interceptados pela PF que detalhavam o plano de ruptura institucional que culminaria nos atos terroristas de 8 de janeiro de 2023. Sua inclusão como alvo prioritário é sintoma da importância que sua figura adquiriu como símbolo da resistência democrática.
Mesmo diante de ameaças de morte, pressões internacionais e hostilidade permanente nas redes sociais, Alexandre de Moraes não recuou. Suas decisões — muitas vezes duras e controversas — colocaram-no no centro de um debate mais amplo sobre os limites entre a defesa da ordem democrática e a liberdade de expressão. Se para alguns sua atuação configura “excessos”, para muitos outros ele personifica o que restou de resistência institucional num momento em que o país flertou com o autoritarismo.
Com uma postura que mescla austeridade técnica e firmeza política, Moraes se tornou uma figura incontornável do Judiciário brasileiro. Sua atuação no STF, no TSE e no enfrentamento direto ao golpismo o inscreve como um dos protagonistas centrais da defesa da democracia no Brasil contemporâneo.