Apresentador Ratinho atua com misoginia e Partido Novo quer é cassar a deputada Erika Hilton
O QUE ACONTECEU
O Partido Novo protocolou uma representação no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados pedindo a cassação do mandato da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). A iniciativa ocorreu após a reação da parlamentar a declarações do apresentador de televisão Ratinho, que criticou sua eleição para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. As informações foram divulgadas inicialmente pelo portal UOL.
A representação apresentada pela legenda, no entanto, tem sido interpretada por críticos como mais um episódio de atuação política marcada por seletividade e por uma leitura bastante particular do que seria liberdade de expressão. No documento enviado ao Conselho de Ética, o Novo sustenta que Erika Hilton teria cometido quebra de decoro parlamentar ao recorrer a instituições do Estado para reagir a críticas feitas após sua eleição para comandar o colegiado.
Segundo o partido, a deputada teria ultrapassado os limites do exercício do mandato ao buscar responsabilização judicial ou administrativa de pessoas que manifestaram opiniões contrárias à sua atuação política. Para a legenda, a atitude configuraria uma tentativa de restringir a liberdade de expressão de seus críticos.
Na prática, porém, a iniciativa levanta questionamentos sobre a postura do próprio Novo, que frequentemente se apresenta como defensor das instituições e do Estado de Direito, mas passa a tratar como abuso o fato de uma parlamentar recorrer justamente aos mecanismos institucionais disponíveis quando considera ter sido alvo de ataques ou discursos discriminatórios.
A controvérsia teve início após comentários feitos por Ratinho em seu programa de televisão. O apresentador criticou a escolha de Erika Hilton para presidir a comissão responsável por discutir políticas públicas voltadas às mulheres. As declarações repercutiram nas redes sociais e provocaram forte reação de apoiadores e adversários da deputada.
Diante da repercussão, Erika Hilton afirmou que tomaria medidas institucionais contra manifestações consideradas ofensivas ou discriminatórias. A parlamentar defendeu que declarações públicas que possam estimular preconceito ou violência devem ser analisadas pelos órgãos competentes.
Eleita para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, Erika Hilton tornou-se uma das figuras mais visíveis do PSOL no Congresso Nacional e integra um grupo ainda pequeno de parlamentares trans eleitos para o Legislativo brasileiro. Sua presença à frente da comissão foi vista por setores da sociedade como um marco político e simbólico na representação de minorias.
O pedido apresentado pelo Novo será analisado pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, órgão responsável por avaliar possíveis violações ao decoro parlamentar. Caso a denúncia seja admitida, poderá ser aberto um processo disciplinar para investigar as acusações feitas pela legenda.
O colegiado poderá decidir pelo arquivamento do caso, aplicar punições administrativas ou, em situações consideradas mais graves, recomendar a cassação do mandato parlamentar — decisão que, em última instância, precisa ser confirmada pelo plenário da Câmara.
Até o momento, Erika Hilton não havia se pronunciado oficialmente sobre a representação.
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