Um adolescente de 16 anos foi apreendido após a Polícia Civil identificar que ele planejava um novo atentado contra uma escola pública de Teresina. A investigação apontou planejamento concreto, pesquisas sobre armas, exaltação a autores de massacres e risco considerado atual pelas autoridades.
O que aconteceu
Um adolescente de 16 anos foi apreendido na terça-feira (14) após a Polícia Civil identificar que ele planejava realizar um atentado em uma escola pública de Teresina. Segundo a investigação, esta foi a segunda apreensão do estudante pelo mesmo tipo de ato infracional.
De acordo com o delegado Eduardo Aquino, o adolescente afirmou que pretendia atacar a escola porque sofria bullying. O objetivo, segundo o relato, era matar professores e estudantes, situação classificada pelo delegado como de extrema gravidade.
O primeiro plano foi descoberto em 2 de março, quando a direção da escola acionou a Polícia Militar após o estudante publicar, em uma rede social, uma mensagem anunciando a intenção de promover um ataque. Durante a abordagem, os policiais encontraram com ele uma faca e uma balaclava. Na ocasião, o adolescente confirmou que pretendia executar o atentado em razão de conflitos vivenciados no ambiente escolar.
Após ser encaminhado à Central de Flagrantes, ele foi liberado com apoio da Promotoria de Justiça e voltou a frequentar a escola. Em seguida, a Polícia Civil deu continuidade às investigações. Com autorização judicial, o celular do adolescente foi apreendido para análise.
Segundo o delegado, o conteúdo do aparelho revelou que o estudante mantinha conversas sobre um novo ataque, fazia pesquisas relacionadas à aquisição de armas de fogo, buscava informações sobre escolas da capital, consultava datas associadas a massacres em instituições de ensino e consumia conteúdos que exaltavam autores desses crimes. Para a Polícia Civil, os elementos indicavam planejamento concreto, persistência da intenção criminosa e preparação para a prática do atentado.
Ao tomar conhecimento das novas informações, a direção da escola acionou novamente a polícia. O adolescente foi apreendido em uma unidade de ensino localizada no bairro Santa Maria da Codipi.
Outro fator considerado decisivo para a medida foi o acompanhamento psicológico realizado pelo CAPS Infantojuvenil. Conforme a investigação, durante o atendimento, o adolescente voltou a manifestar recentemente a intenção de praticar um massacre em ambiente escolar. Em razão desse comportamento, a direção da escola determinou um novo afastamento temporário do estudante, reforçando, segundo a Polícia Civil, que o risco permanecia atual e concreto.
As investigações também identificaram que o adolescente acompanhava conteúdos sobre o massacre ocorrido na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), em 2019, além de vídeos relacionados ao ataque em uma escola no Texas, nos Estados Unidos. Os policiais também encontraram uma montagem produzida por ele com referência ao atentado ocorrido em Belgrado, na Sérvia, em 2023.
O delegado Eduardo Aquino destacou a importância de ações preventivas para combater a violência nas escolas, incluindo o enfrentamento ao bullying, o fortalecimento da saúde mental de crianças e adolescentes e a atuação integrada entre família, escola, rede de proteção e forças de segurança.
A Polícia Civil informou que toda a investigação foi conduzida em conformidade com o devido processo legal, respeitando as garantias previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que determina a preservação da identidade de menores de idade envolvidos em atos infracionais. Por esse motivo, não são divulgadas imagens, nomes ou qualquer informação que possa identificar o adolescente.