A participação do irmão de Ciro Nogueira na investigação contra o senador

Engenheiro Raimundo Nogueira é citado em investigação sobre suposta transferência indireta de vantagens ao senador Ciro Nogueira

A Polícia Federal investiga o engenheiro Raimundo Neto Nogueira, irmão do senador Ciro Nogueira (PP-PI), por suspeita de envolvimento em operação financeira ligada ao Banco Master. A apuração envolve a compra de participação societária em empresa associada ao banqueiro Daniel Vorcaro e contratos milionários de empresas ligadas à família com a Prefeitura de Teresina.

O que aconteceu

O engenheiro Raimundo Neto Nogueira, irmão do senador Ciro Nogueira, tornou-se alvo de investigação da Polícia Federal sobre suposto recebimento indireto de recursos relacionados ao Banco Master. Filho da ex-senadora Eliane Nogueira, Raimundo já presidiu a Agespisa entre 2011 e 2012, por indicação política, e mantém participação em empresas associadas ao nome do senador.

Entre elas estão a CN Petróleo, a Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis e a Construtora Torre. Desde 2009, essas empresas receberam cerca de R$ 67,5 milhões da Prefeitura de Teresina em contratos de pavimentação, aluguel de imóveis e fornecimento de combustíveis durante gestões de aliados políticos de Ciro Nogueira.

Segundo a PF, Raimundo assinou, em abril de 2024, um contrato em nome da CNLF Empreendimentos Imobiliários, empresa ligada ao senador, para adquirir 30% da Green Investimentos, empresa vinculada ao banqueiro Daniel Vorcaro. A operação custou R$ 1 milhão, embora investigadores apontem que a participação teria valor estimado em R$ 13 milhões.

A investigação apura se a negociação teria servido para transferir vantagens indevidas ao senador por meio de dividendos. Ciro Nogueira nega irregularidades e afirmou ser alvo de tentativa de desgaste político. A defesa de Raimundo não foi localizada.

Raimundo e Ciro também já haviam sido investigados pela PF em 2013 por suspeita de desvio de recursos públicos, mas o caso foi arquivado pelo STF em 2019.