A influência bilionária por trás das convocações da Seleção

Empresário domina bastidores do futebol, concentra atletas convocados e lidera mercado bilionário de transferências

A convocação da Seleção Brasileira desta segunda-feira (18) reacende um debate pouco explorado no futebol nacional: a influência dos empresários nos bastidores da CBF e no mercado de jogadores. Entre os nomes mais ligados às convocações aparece Giuliano Bertolucci, empresário que controla carreiras de atletas frequentes na Seleção e movimenta bilhões em transferências internacionais.

O que aconteceu

A nova convocação da Seleção Brasileira voltou a destacar a presença indireta de Giuliano Bertolucci nos bastidores do futebol nacional. Considerado o empresário mais influente do país, o agente paulista acumula há mais de uma década protagonismo no mercado de transferências e mantém forte ligação com jogadores constantemente chamados pela CBF.

Aos 53 anos, Bertolucci lidera o mercado brasileiro de negociações internacionais pelo 12º ano consecutivo. Apenas na última janela de transferências, atletas ligados ao empresário movimentaram mais de R$ 2 bilhões. Estudos publicados nos últimos anos apontam que ele chegou a representar oito dos 26 convocados da Seleção em determinadas listas, equivalente a cerca de 30% do grupo.

Entre os jogadores ligados ao empresário que aparecem com frequência nas convocações estão Marquinhos, Gabriel Magalhães, Bruno Guimarães, Matheus Cunha, Vanderson, João Pedro, Guilherme Arana, Andreas Pereira, Andrey Santos, Pedro e Caio Henrique. A permanência desses nomes em diferentes ciclos de treinadores e gestões da CBF é frequentemente associada ao peso político e comercial de Bertolucci no futebol.

Além da influência esportiva, o empresário também possui forte presença financeira no cenário nacional. Atualmente, ele é apontado como um dos maiores credores do futebol brasileiro, acumulando mais de R$ 300 milhões a receber de clubes como Corinthians, São Paulo, Fluminense, Vasco e Atlético-MG por operações de transferências e empréstimos.

Discreto e raramente exposto publicamente, Bertolucci evita entrevistas e aparições na mídia. Mesmo assim, dirigentes e agentes do mercado o descrevem como figura central em negociações entre clubes brasileiros e europeus, especialmente da Inglaterra. Sua reputação no meio é marcada pela confiança e influência nas tratativas.

Filho de Antonio Bertolucci, ex-presidente do Conselho de Administração da Lorenzetti, Giuliano nasceu em São Paulo e iniciou sua trajetória no futebol nos anos 1990. A entrada no esporte ocorreu ao lado do sogro, então ligado à Euro Export, empresa que controlava categorias de base do Juventus da Mooca.

Nesse período, ele passou a construir conexões internacionais e trabalhou em parceria com André Cury, amigo de infância. Os dois participaram de negociações que levaram jovens brasileiros ao futebol europeu e estiveram envolvidos em transferências de atletas como Deco, Thiago Motta, Luisão e Alex.

A ascensão de Bertolucci coincidiu com mudanças estruturais do futebol mundial nos anos 1990, como a criação da Premier League em formato comercial moderno, a reformulação da Liga dos Campeões e o impacto da Lei Bosman, que ampliou o poder dos empresários no mercado.

Com o passar dos anos, o agente participou de operações bilionárias envolvendo grandes clubes europeus. Entre elas, a transferência de Philippe Coutinho para o Barcelona, a ida de Oscar ao futebol chinês e a negociação que levou Neymar ao Barcelona em 2013.

Sua atuação também ultrapassa a representação formal de atletas. Segundo relatos do mercado, Bertolucci participa frequentemente de negociações de jogadores que nem fazem parte oficialmente de sua carteira. A forte conexão com clubes ingleses o transformou em uma ponte constante entre o futebol brasileiro e a Premier League.

Em 2025, ele voltou a liderar o mercado nacional de transferências, participando de operações como a ida de Matheus Cunha para o Manchester United e negociações envolvendo Palmeiras, Botafogo e Nottingham Forest.

Além do mercado de jogadores, o empresário expandiu sua presença para a gestão esportiva. Sua família controla a SAF da Ferroviária, em Araraquara, com investimentos em estrutura, categorias de base e formação de atletas.

Enquanto técnicos, dirigentes e presidentes da CBF mudam ao longo dos anos, Giuliano Bertolucci segue consolidado nos bastidores do futebol brasileiro, mantendo influência direta e indireta sobre parte significativa da Seleção Brasileira e do mercado internacional.