Durante entrevista ao 247, o jornalista e analista político Brian Mier lançou um alerta incisivo sobre o que definiu como uma ofensiva global coordenada da extrema direita contra os sistemas judiciais democráticos. Segundo ele, figuras como Donald Trump, Benjamin Netanyahu e Jair Bolsonaro estariam liderando uma “guerra internacional contra o Judiciário”, com apoio de estruturas empresariais e políticas transnacionais.
“A extrema direita está em guerra mundial contra o Judiciário”, afirmou Mier. “Não se trata de casos isolados ou movimentos locais. Existe um neofascismo internacional, altamente interligado, que compartilha táticas, se comunica diariamente e atua para desmontar o poder das instituições judiciais nos países onde atua”.
O jornalista apontou que essa aliança transnacional mira diretamente a credibilidade de cortes constitucionais e tribunais superiores. A estratégia, segundo ele, envolve não apenas ataques retóricos, mas também tentativas concretas de alterar legislações, importar mecanismos constitucionais estrangeiros e enfraquecer institucionalmente o sistema de Justiça. “É um movimento que tem suporte de plataformas digitais, think tanks conservadores e setores do legislativo alinhados à extrema direita”, acrescentou.
No caso brasileiro, Mier citou o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente nos Estados Unidos, como uma das figuras centrais desse alinhamento internacional. “Ele é o elo com nomes como Elon Musk, com parlamentares republicanos como Marjorie Taylor Greene e com plataformas como o Rumble e o X (antigo Twitter). É ele quem leva o CPAC para o Brasil. Essa rede opera para minar o Judiciário tanto aqui quanto lá fora”.
Mier também criticou a retórica sobre liberdade de expressão absoluta, muito usada por esse campo político para justificar ataques ao sistema judicial. “Essa ideia distorcida da Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que foi criada por libertários nos anos 1970, hoje serve como escudo para disseminação de discurso fascista e desinformação nas redes sociais”.
O jornalista observou que essa mesma lógica se aplica ao vínculo entre Netanyahu e Trump, ambos acusados de tentar sabotar os respectivos sistemas judiciais de seus países. “O New York Times destacou que um dos temas centrais da visita de Netanyahu a Washington foi justamente a discussão com Trump sobre como enfraquecer o Judiciário. Os dois estão em guerra contra suas próprias cortes”.
Por fim, Mier chamou atenção para o Brasil, onde o bolsonarismo segue esse roteiro internacional. “Há uma campanha sistemática para desacreditar ministros do STF, deslegitimar decisões e mobilizar as bases com mentiras sobre suposto autoritarismo judicial. É preciso separar críticas legítimas a decisões judiciais da tentativa orquestrada de desmonte institucional. O que está em curso é um ataque fascista, e o Judiciário virou alvo prioritário da extrema direita global”.
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