A trajetória da colonização do Piauí esteve no centro da entrevista concedida pelo advogado e historiador Reginaldo Miranda ao jornalista Oscar de Barros, para o site PensarPiaui. Miranda, estudioso da história colonial piauiense, destacou que, embora o território hoje correspondente ao Estado tenha registro de presença humana que remonta a milhares de anos — como demonstram as pesquisas arqueológicas lideradas por Niède Guidon — a colonização portuguesa propriamente dita só se consolidou bem depois, e, é ela, a razão de seus estudos.
A chegada dos europeus ao Brasil, no início dos anos 1500, partiu da iniciativa de um pequeno país europeu que, apesar de sua reduzida população, despontava como potência marítima: Portugal. O processo de ocupação territorial começou pelo litoral, com a fundação de vilas como Salvador, São Vicente, Olinda, Rio de Janeiro e São Paulo. O Piauí, entretanto, seria integrado de forma mais tardia ao projeto colonial português.
Segundo Reginaldo Miranda, antes desse período, diversas populações circulavam pela região, mas sem o intuito de fixação ou estabelecimento de um modelo de exploração sistemática das terras. A colonização efetiva do Piauí, explica ele, teve início com a chegada de paulistas (bandeirantes), cuja motivação principal era a captura de indígenas para o tráfico de escravizados no litoral. Esses grupos, porém, não fundaram fazendas ou núcleos permanentes.
A formação das primeiras propriedades rurais e dos marcos fundacionais do Piauí ficou a cargo dos baianos — portugueses ligados à Casa da Torre — que, aproximadamente uma década após a chegada dos bandeirantes, instalaram as grandes fazendas de gado que consolidariam o povoamento da região. Nomes como Domingos Jorge Velho, Domingos Afonso Sertão, Francisco Dias Siqueira e Francisco Dias D’Ávila figuram entre os principais responsáveis pelo processo de ocupação e expansão territorial.
Na entrevista, Miranda também abordou um aspecto singular do Piauí em relação aos demais estados nordestinos: a localização de sua capital no interior. Oeiras foi a primeira sede administrativa, seguida de Teresina, enquanto as outras capitais nordestinas se estabeleceram no litoral. Essa escolha reflete a dinâmica histórica da ocupação e interesses religiosos de então.
Outro ponto discutido foi o litígio territorial entre Piauí e Ceará, atualmente em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria da ministra Cármen Lúcia. Miranda esclareceu os fundamentos históricos e jurídicos da disputa e respondeu à pergunta que mobiliza opiniões dos dois estados: afinal, o Ceará apropriou-se de terras originalmente piauienses?
A entrevista completa aprofunda esses e outros aspectos da formação histórica do Piauí, revelando tramas políticas, disputas territoriais e personagens que moldaram o nascimento do Estado.
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