Hoje é 8 de março – Dia Internacional da Mulher.

Este dia, é um dia de luta e nele as homenagens a todas as mulheres vão na pessoa de Gleisi Hoffmann – uma guerreira ímpar e a presidente nacional do PT.

Gleisi Hoffmann assumiu o Partido num momento muito difícil. Era meados de 2017, o PT havia sido apeado do poder e nas eleições de 2016 sofrera uma derrota marcante. Com o brilho, garra e determinação que a caracterizam assumiu o PT e as lutas que estavam por vir.

Lula a abençoou na jornada.

Gleisi tem feito muito pelo PT e é a capitã deste barco no momento mais turbulento da longa viagem petista.

Em 2018, Lula foi arbitrariamente preso e coube à paranaense falar por Lula e pelo PT.

Conduziu as eleições daquele ano onde o PT saiu com a maior bancada da Câmara Federal, o maior número de governadores e com Haddad mostrando força eleitoral mesmo tendo sido fraudulentamente derrotado pelo destemperado presidente Bolsonaro.

O PT é um partido “sui generis”. Para conhecê-lo é preciso viver seus bastidores.

Agora em 2019 Gleisi passa a ser vítima do próprio PT com parte de seus integrantes fazendo o conhecido “fogo amigo”.

Sem ser governo no plano federal, com eleições internas previstas para este ano e um salário de Executiva Nacional em torno dos 25 mil reais tem petista que não mede distância e almeja chegar à Direção nem que seja com o sacrifício de uma importante figura como Gleisi Hoffmann. A luta interna do PT é visceral. Em alguns momentos falta juízo às lideranças petistas.

Outra situação determinante dos dias atuais é o governo Bolsonaro. Bolsonaro é uma excrecência que o povo brasileiro colocou na presidência da República. Mesmo ocupando tão relevante cargo é impossível imaginar o PT dialogando com essa escatologia. Gleisi Hoffmann sabe bem disso e tem deixado claro esta posição. Acontece que este posicionamento entra em conflito com alguns petistas que querem administrar crises capitalistas.

O grande nome do PT é Lula.

E foi Lula o mentor de Gleisi Hoffmann na presidência do PT

E tem sido Gleisi Hoffmann a grande porta voz de Lula preso. Gleisi tem visitado Lula com frequência. Em suas visitas não chora para não dar sinal de fraqueza ao grande petista, mas ao sair da cela curitibana é aos pedaços, arrebentada. Mas Gleisi se mostra incansável e vai conduzindo o Partido.

Neste 8 de março e nos dias que seguem, petista que é petista, apoia a presidenta Gleisi Hoffmann.

O professor Valter Pomar, historiador e membro da direção nacional do PT, escreveu sobre o tema. Veja seu artigo:

Por qual motivo atacam Gleisi Hoffmann?

06 de março de 2019

Não votei em Gleisi Hoffmann. Não integramos a mesma tendência. Por diversas vezes dissenti de posições adotadas por ela. Ademais, Gleisi não é minha futura candidata à presidência nacional do Partido. Portanto, estou totalmente à vontade para protestar contra o ataque de que ela foi vítima hoje, particularmente em matérias publicadas pelos jornais Valor e O Globo.

Gleisi Hoffmann é presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores. Tem desempenhado um papel extremamente importante na oposição ao governo Bolsonaro e na luta pela liberdade de Lula. Por este motivo, é alvo constante dos ataques da extrema-direita e da grande mídia. Entretanto, os ataques divulgados nesta quarta-feira de cinzas têm outra origem.

As matérias (algumas das quais reproduzidas ao final deste texto) sustentam-se fartamente em declarações anônimas: “O GLOBO ouviu críticas a Gleisi de cinco parlamentares ou integrantes da direção do PT que integram a CNB. Nenhum deles, porém, aceitou falar publicamente sobre o tema, numa demonstração do receio de contrariar Lula”.

Se for verdade, a conclusão é que tem gente que acha razoável usar a grande imprensa para fazer luta interna, acha aceitável falar em público coisas que não fala internamente, mas tem medo de colocar sua assinatura nas críticas, não por causa dos danos causados ao Partido, mas por causa “do receio de contrariar Lula”.

Como jabuti não sobe em árvore, a publicação destas matérias revela que alguns “dirigentes” resolveram deflagrar uma campanha pública para desestabilizar a presidenta nacional do PT.

Como ainda não foi marcada a data para a eleição da nova direção, nem do congresso partidário, esta campanha terá como efeito prático enfraquecer a presidência do Partido, exatamente no momento em que o governo Bolsonaro quer aprovar a reforma da previdência.

Na prática, quem se beneficiaria disto?

Detalhe importante: matérias publicadas hoje dão conta, também, de que estaria em curso uma operação para mudar a tática do PT na luta contra a reforma da previdência. A tática hoje é derrotar a reforma. A tática proposta seria, segundo a imprensa, defender a “nossa” reforma, contra a reforma deles.

O efeito prático disto será confundir a classe trabalhadora.

Esta dupla operação confirma que há uma nova “estratégia” sendo construída, “estratégia” que só faria sentido para quem acha que o governo Bolsonaro estaria desmanchando, havendo espaço para uma saída de curto prazo, uma espécie de governo de “união nacional contra o sanatório geral”, desde que o PT estivesse disposto a “baixar o tom”.

Neste cenário, Haddad cumpriria um papel essencial, mas desde que se dissociasse de certos excessos programáticos e retóricos que alguns atribuem à Gleisi Hoffmann.

Entre estes excessos, na opinião dos tais “dirigentes”, estaria a posição firme de apoio da presidenta nacional do PT à Venezuela. Posição que eles sabem ser a do PT e a de Lula. E sabem que é a única posição possível para um partido que realmente defenda a democracia e a soberania nacional, não da boca para fora, não como uma abstração acadêmica. Mas esta posição de defesa da Venezuela é radical demais para quem deseja converter o PT num partido socialdemocrata, com mais aliados europeus e com menos aliados latino-americanos.

É neste contexto, de pretendida domesticação do PT, que ganharia “sentido” a proposta de fazer de Haddad o novo presidente nacional do PT. Mas como o próprio já deixou claro que esta não é a sua praia, o jeito seria eleger um “presidente-chefe-de-Estado” e um “secretário-geral-chefe-de-governo”. E assim estaria resolvido o dilema de alguns setores que não acham um nome ideal para substituir Gleisi, mas teriam vários nomes para ocupar a tal secretaria-geral.

Neste ponto da narrativa chegamos àquilo que os antigos chamavam de “pedra de toque”: para alguns “dirigentes”, toda esta movimentação tem um único objetivo, que é o de manter a direção nacional do PT controlada por um determinado grupo. O resto todo é “conta de chegar”, argumentos de ocasião e artimanhas que visam atingir o objetivo citado.

A conta de chegar parte de pressupostos falsos, conduz à políticas erradas e inclui atacar covardemente a presidenta nacional do PT, não por seus defeitos, mas por suas qualidades.

Todos nós, do Lula até o mais anônimo filiado, estamos sujeitos a errar e a receber críticas, inclusive duríssimas, inclusive de público. E sempre há o risco destas críticas, inadvertidamente, enfraquecerem ou confundirem a ação do Partido. Até por isto é importante que cada um coloque seu CPF no que fala e faz.

Quem se oculta no anonimato de uma declaração “em off”, quem não assume publicamente a autoria do que fala e pensa, sabe que está agindo contra os interesses do Partido, sabe que está colocando os interesses do seu grupo acima dos interesses do Partido, sabe que está agindo não mais como tendência, mas como “partido dentro do Partido”.

Gleisi Hoffmann está certa ao demarcar com estes “supostos personagens que se movem nas sombras e se escondem no anonimato”. Cabe aos filiados julgar se “personagens” assim merecem estar na direção nacional de nosso Partido.

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