Por: Fabíola Lemos, professora, em seu facebook

BOLSONARISMO: A MELHOR SALA DE AULA
Ensino Filosofia e Sociologia nos limites que o mercado permite: 50 minutos por semana para ensinar conceitos de Marx, Weber e tantos outros.

O mercado é diretor, coordenador e autor do material didático, ou seja, dono da bola e do campo.

Felizmente esse mesmo mercado precisa da Ciência. A necessidade do pragmatismo reflexivo e de uma mente orientada a sistematizar o tempo todo, traçou os caminhos da “desmagificação”, domesticando o espírito para a ética do capital (chego a ouvir Weber daqui).

Porém, vivemos na América Católica e, talvez por isso, a “gambiarra” de mercado, improvisada nos limites impostos por uma condição colonial, desenvolveu em terras brasileiras, uma elite estamental, genérica, cafona e avessa à Ciência (é isso mesmo Faoro?).

Que bom seria, meu caro Darcy Ribeiro, se o resultado dessa aversão, tivesse nos conduzido a um projeto civilizacional, mais próximo da sabedoria indígena e africana. Porém, como diria Florestan Fernandes, o que nos sobrou foi a relutância ao humanismo e a potencialização do ressentimento.

Com a eleição de Bolsonaro, as configurações da ignorância foram atualizadas pelo protestantismo neopentecostal, sob a única ética que eles entendem: a do dinheiro.

A farra dos trambiqueiros depende de uma “escola sem partido” e de uma cultura que negue a política em todos os espaços. Melhor dizendo: política só para eles. Ao povo, o discurso vulgar de pureza e meritocracia.

Desapontando a quem quer que teime acreditar nas instituições republicanas, o autoritarismo foi legitimado por via eleitoral (quer melhor aula sobre a concepção de Estado em Marx?). A resposta das urnas desnudou os limites éticos de um povo que foi educado para entender amor ao próximo como filantropia ou caridade.

Que ninguém subestime a forma com que o poder nos segrega. Bauman, inspirado por Foucault nos ensinaria que, nesse mundo de “bolhas”, a educação mercantil, muros de condomínios ou as redes sociais serão o mote para potencializar a aversão a qualquer pauta humanista.

A doutrinação do mercado está mais forte que nunca. Ainda assim, por mais sofisticados que estejam os mecanismos de dominação ideológica, será na dialética da vida material que a resposta da massa de trabalhadores empobrecidos chegará.

Em meio a isso tudo, temo perder meu posto de “doutrinadora”. Com um professor tão didático como Bolsonaro, não é preciso nem desenhar

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