Hoje, Manuel Domingos, postou em seu facebook, uma análise da política brasileira sob a ótica da movimentação dos generais do Exército Brasileiro. Fez uma crítica ao PT, mas a publicação é também uma resposta a Ricardo Cappelli, secretário da representação do governo do Maranhão em Brasília. Cappelli escreve regularmente no site Brasil 247.  A seguir o texto de Manuel Domingos e, depois, o de Ricardo Capplli.

Bizarrias da esquerda

Manuel Domingos Neto

No dia 12 de novembro de 20018, o representante do Governo Maranhense chateou-se com quem não aplaudiu o Comandante do Exército. O General dissera haver posto o sabre no pescoço do STF: ou Lula preso ou nem o comandante da tropa maior seguraria o diabo! Assinou confissão de algo que as pedras sabiam.

A esquerda fora alertada, faz tempo, dos acertos a meia luz entre a farda e a toga. Depois, tais acertos ocorreriam a céu aberto, naturalmente, sem maiores reações de partidos, imprensa ou parlamentares. Villas Bôas detonou o Judiciário. O estofo moral de Toffolli, já questionado, foi pelos ares e a Corte ficou em saia justa. E eis a insegurança jurídica exposta ao mundo!

O mais grave da entrevista de Villas Bôas, entretanto, serão os efeitos no mundo castrense. Quando o Comandante assume publicamente não dar bolas à Constituição e dá exemplo de transgressão do Regulamento Disciplinar do Exército, que autoridade lhe sobrará para garantir a disciplina em quartéis sob o comando de jovens sedentos de protagonismo, com adrenalina em altas dosagens e envaidecidos com o clamor da turba?

É bizarro a esquerda aplaudir tal coisa. Para a autoridade maranhense, o General teria sido “irretocável” e, seus críticos, “bravateiros”, “esquerdistas patéticos”, irresponsáveis torcendo por uma ditadura que lhes desse chance de posar de heróis. Desrespeito aos que tombaram pela democracia; mimo ao neofascismo, incentivo ao caos!

No dia seguinte, 13 de novembro de 2018, uma “Nota do PT” denuncia a tutela do Comando Militar sobre o Judiciário; conclama as “forças democráticas” a defender a democracia e alerta não haver limites para a tirania. Nem uma palavrinha sobre a responsabilidade do partido quanto ao perigoso quadro formado. O maior partido de esquerda não renuncia à condição de símbolo de pureza e coerência! É estranho que ponha a institucionalidade maltrapilha em sólido pedestal…

Chama a atenção o PT tomar como base de seu posicionamento a vigência do Estado Democrático de Direito, contradizendo a tese de que Lula é preso político. Não cabe à esquerda rasgar a Constituição, mas é insensato operar como se a normalidade institucional estivesse em pleno vigor.

Na eleição de Bolsonaro, muito se falou de evangélicos, mentiras na internet, partidarismo do Judiciário, torpezas da imprensa, reacionarismo da classe média, inconformismo da casa grande, envolvimento do agronegócio, ação de agentes externos, erros de comunicação, pulsões de morte de uma sociedade desesperançada… Enfim, do ambiente que favoreceu experiências autoritárias clássicas.

Pouco se disse, entretanto, dos quartéis que viraram autênticos comitês de campanha e de militares e policiais fardados ou de pijama que atuaram como militantes ensandecidos em defesa do capitão farda-suja.

O desacreditado candidato ganhou importância na medida em que hierarcas estrelados, cientes da caduquice da “manu militare” rotineira o perceberem como alternativa para retornar ao mando via eleitoral. O empresariado viu um Bolsonaro diferente quando o mesmo foi cercado por generais. Nesta condição, ganhou crédito e recebeu apoios variados.

O general Villas Bôas diz que Bolsonaro não é militar, mas que aproveita habilmente suas relações no meio castrense. O fato é que, sem a escora de chefes militares, Bolsonaro continuaria sua rotina histriônica de deputado do baixo clero disposto à estragar a imagem internacional do Brasil em troca de bons proventos para sua clã política profissional.
A esquerda falou menos ainda do lance de geoestratégico em disputa, como se a contenda pela hegemonia mundial desconhecesse a importância do Brasil.

A eleição do farda-suja é dado estratégico primordial nos limites continentais; desmonta o esforço pela integração sulamericana e interrompe a busca da multipolaridade; acelera o programado saque das reservas de petróleo da Venezuela; deixa as fábricas estadunidenses de armas suspirando aliviadas diante de seus novos concorrentes na América do Sul; dá esperança aos que têm ganas de por a mão na Amazõnia; desmonta parcerias estratégicas visando a autonomia tecnológica; tumultua o esforço de exportação dos produtos brasileiros e, loucura das loucuras, chama homens-bombas para nossas cidades, como se já não bastasse os assaltos cotidianos à luz do dia.

Nos últimos anos muitos brasileiros pediram uma “intervenção militar”. Nenhum deles foi preso por desrespeito às Forças Armadas e por incitamento à desordem. Ao inverso, o militar sentiu-se prestigiado; inflou o peito de orgulho e a cabeça de parvoíces.

Multiplicaram-se as falas raivosas e ameaçadoras de oficiais reformados atacando o governo, criminalizando a política e desmoralizando as instituições republicanas, demonizando a sede de liberdade e de respeito dos socialmente discriminados.

A esquerda menosprezou esses oficiais: seriam inofensivos, dado que não comandariam tropas. Não sabia, a esquerda, que os de pijama fascinam os fardados, que se espelham em sua competência técnica e se enternecem com seus laços afetivos, sua maturidade e ascendência moral.

Esqueceu a esquerda que as armas estão com ex-alunos e ex-subordinados de experientes generais de pijama. A admiração e o exemplo não se esfumaçam quando o veterano tira a farda. Este ensinamento vem de tempos imemoriais.

A esquerda esqueceu ainda que o de pijama fala o que o fardado não pode falar. A esquerda aprenderá um dia que, no Brasil ou em qualquer canto, o novo e o velho militar não podem ser menosprezados?

O professor Manuel Domingos Neto é cearense, mas velho conhecido dos piauienses. Doutor em História pela Universidade de Paris foi militante da clandestina Ação Popular. Preso pelo regime militar de 1964 foi expulso do país. 

Retornando ao Brasil, foi pesquisador da Fundação Getúlio Vargas e da Fundação Casa Rui Barbosa, entre outros.

Fixou residencia em Teresina por um bom tempo. Aqui exerceu suas atividades profissionais junto à Fundação Centro de Pesquisas Econômicas e Sociais do Piauí (CEPRO), chegando à Superintendente. 

Foi deputado federal pelo Piauí entre 1989 e 1991. Hoje atua como professor visitante na Universidade Estadual do Piauí e é um dos grande nomes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

 

Os bravateiros torcem por uma ditadura
Ricardo Cappelli

A entrevista do Comandante do Exército, General Villas Boas à Folha foi irretocável, palavras de um brasileiro com B maiúsculo ciente de seus deveres e suas responsabilidades.

Tive a oportunidade de conhecer o General. Não temos afinidades ideológicas, mas é incontestável seu preparo intelectual e seu respeito à Constituição.

Os esquerdistas patéticos que distorcem suas palavras para atacá-lo não tem a menor ideia do que acontece nas Forças. Por que Villas Bôas, um homem numa cadeira de rodas com uma doença degenerativa irreversível, se manteve no Comando?

Os posicionamentos dele sempre foram no limite. O Brasil esteve sempre no limite nos últimos anos. Os radicalóides irresponsáveis que o atacam ignoram que agiu sempre para segurar a ala radical no limite da Constituição.

É uma turma da esquerda irresponsável, bravateira, que sonha com a volta da ditadura pra poder posar de “herói da resistência”. Fazem coro com a ala radical dos militares apostando na desestabilização do país.

Uma vergonha.

Ricardo Cappelli é secretário da representação do governo do Maranhão em Brasília e foi presidente da União Nacional dos Estudantes

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