Os 224 municípios piauienses estarão representados por 1.100 mulheres na Marcha das Margaridas 2019, que acontece dias 13 e 14 de agosto, em Brasília.

De acordo com a presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Piauí (Fetag), deputada Elisângela Moura, que esteve presente em todas as edições da Marcha, as piauienses seguirão em 22 ônibus. “Relembrando a escritora Simone de Beauvoir, acredito que “é pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta”. E a Marcha das Margaridas é exemplo deste trabalho incansável e da força política que nasce da organização das mulheres rurais, como ação fundamental da luta por igualdade, democracia e por melhores condições de participação política”, declarou em entrevista ao Portal Vermelho.

Considerada a maior ação de mulheres da América Latina, o evento tem como tema, neste ano, “Margaridas na Luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência”.

Pela primeira vez o evento contou com financiamento coletivo e bateu recorde. A campanha feira pela internet estimava arrecadar R$ 80 mil e conseguiu exstos R$ 131.457,00, doados por 1120 benfeitores. A entidades pretendem levar 100 mil mulheres para a capital federal.

Paralela à Marcha, acontecerá a 1ª
Marcha das Mulheres Indígenas, que já inicia dia 09.

A historiadora pernambucana Carla Gisela Batista lembra que
dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) mostram que o desmatamento da Amazônia, só em junho de 2019, subiu 88% em relação ao mesmo mês do ano passado. A área equivale a 4 cidades do Recife. “Nos últimos dias garimpeiros invadiram aldeia e mataram o líder indígena Emyra Wajãpi. Tiveram sua ação respaldada pela autoridade máxima do país, que disse não ter havido indício de que Emyra fora realmente assassinado”, lamenta.

HISTÓRIA

A Marcha das Margaridas é marcada pela construção coletiva, fundada na aliança entre várias organizações feministas e movimentos sociais, além de quatro mil sindicatos filiados à Contag. Esta sexta edição contará com a parceria de 16 organizações sociais e movimentos de mulheres representantes de vários segmentos.

São elas: Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), União Brasileira de Mulheres (UBM), Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste (MMTR-NE), Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Movimento Articulado das Mulheres da Amazônia (MAMA), GT Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), Confederação de Organizações de Produtores Familiares, Camponeses e Indígenas do Mercosul Ampliado (Coprofam), Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados e Assalariadas Rurais (CONTAR), Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas Costeiras e Marinhos (Confrem Brasil), Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Desde o ano 2000, a cada quatro anos, camponesas de todos os estados marcham inspiradas pela história de Margarida Maria Alves, liderança assassinada por defender os direitos de trabalhadoras e trabalhadores rurais. Desde o seu surgimento, a Marcha vem se construindo como a maior e mais efetiva ação de luta das mulheres do campo, da floresta e das águas, contra a exploração, a dominação e todas as formas de violência e em favor de igualdade, autonomia e liberdade para as mulheres.

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