Texto originalmente publicado no portal 180graus em 06/04/2018

Este caso de amor começou há tempos.

Era um adolescente e ouvia metalúrgicos falarem com admiração de você.

Além dos metalúrgicos ouvia a imprensa falar de ti.

A cada fala a curiosidade aumentava e um início de admiração também.

Estouraram as greves do ABC e você na defesa dos trabalhadores. Você foi preso. Nunca vi você como um presidiário. Vi aquela prisão com perplexidade e medo. Eu como medo, e você com tanta coragem.

Iniciei minha vida de trabalhador no INSS. Logo entendi o funcionamento do mundo do trabalho. Fizemos greve no serviço público, procuramos e recebemos o apoio do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo do qual você tinha sido presidente.

Eu visitava o Sindicato, não te via, mas te sentia.

Queria te ver. Queria tocar em ti. Mas este encontro não acontecia.

O PT foi fundado e veio a primeira campanha eleitoral.

Você foi candidato a governador em 1982 por São Paulo. Foi meu primeiro voto. Meu primeiro voto pra você.

Depois vim para o Piauí. Você foi deputado constituinte, eleito com milhares de votos. Desta vez, por conta da geografia não votei em ti.

Colecionei revistas, recortes de jornal, gravações de rádio e TV, santinhos de campanha, tudo o que fazia referência a ti. Era um livro sobre o Lula? Estava lá eu lendo.

Veio a épica campanha de 1989.

Veio o comício de Teresina que em suas palavras te demonstrou que quem ia ao segundo turno era você. Foi aí que te vi de pertinho, mesmo sem tocar em ti, sem falar com você.

Noutros momentos e noutras campanhas você esteve por Teresina.

Surgiram oportunidades de rápidos cumprimentos e de fotos que guardo como verdadeiros tesouros.

Esta é a minha história com você. Contato físicos…pouquíssimos. Mas impressionante comunhão de idéias. A defesa dos mais pobres, o prato de comida sobre a mesa, a escola para todos, olhar pretos, favelados como irmãos, moradia digna, emprego, renda, soberania, auto-estima.

Hoje você vai preso! Eu choro, o Brasil chora!

Diferente da primeira prisão, não estou perplexo, imaginava que este seria o desenrolar dos fatos.  Diferente da primeira prisão, não tenho medo. Tenho angustia por você (como passará esses dias retido?) e tenho dúvidas sobre o Brasil (dúvida de longo prazo, porque no curto prazo viveremos apenas noites).

Este “Mecanismo” que hoje te leva preso, já tinha te aprisionado antes. Este “Mecanismo” que te leva preso hoje também prendeu e esquartejou Tiradentes, Antônio Conselheiro, Nelson Mandela, Gandhi, Martin Luther King.

Este “Mecanismo” que tenta matar sua imagem hoje, matou o maior de todos os homens – Jesus Cristo.

Mas Lula, eu que estou contigo, tenho o prazer de não ser daqueles que escolheram Barrabás.

Quem não entende tua relação como o povo, te cunha de populista.

É preciso ler Jessé Sousa: “Segundo a noção (criadas pelas elites) de populismo, os pobres que vêm do campo para cidade, que não foram à universidade e que não leem os grandes autores por não ter instrução são facilmente manipuláveis. Os líderes são, dessa forma, vistos como manipuladores.” Este conceito tem dois efeitos: limita o alcance da noção de soberania popular e estigmatiza os líderes.

Você é meu líder. E escracho quem fala de “populismo”.

 

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