O pai dos meus enteados tornou-se um grande amigo. Ele mora na Paraíba, mas quando nos encontramos a conversa flui facilmente. Aqui ou acolá, aspectos da política brasileira, coisas da família, mas um tema que fascina os dois é o nordeste e sua cultura. Tudo regado a uma boa cachacinha ou a uma cerveja gelada.

O “caboco” Sales já me convidou para a roda de choro em João Pessoa e me indicou o bar do Léo em São Luiz do Maranhão. Mantemos contato quase diário por whats app e hoje ele me lembrou do aniversário de nascimento do cantor Zé do Norte.

Zé do Norte é um dos presentes do Nordeste brasileiro à cultura desta Nação e do mundo. Não alcançou a fama de um Luiz Gonzaga, de um Dominguinhos, Sivuca, Jackson, Elba Ramalho e tantos outros. Mas nos quesitos qualidade, criatividade e autenticidade brasileira/nordestina, nada ficou a dever aos grandes nomes da nossa cultura.

O evento que deu pedestal a Zé do Norte foi o filme O Cangaceiro. Contratado por Lima Barreto – diretor do Filme – foi consultor para a linguagem e autor da trilha sonora.
É do Cangaceiro os maiores e mais conhecidos sucessos de Zé do Norte.

Para maior conhecimento do leitores do pensarpiaui segue informações sobre a vida de Zé do Norte retiradas do Dicionário Cravo Albin da Musica Popular Brasileira

Zé do Norte (Alfredo Ricardo do Nascimento)
Nasceu: 18/12/1908 Cajazeiras, PB
Morreu: 4/1/1992 Rio de Janeiro, RJ

Biografia
Cantor. Compositor. Poeta. Escritor. Folclorista.

Aos 11 anos de idade perdeu os pais, indo morar com um tio. Fugiu de casa dois anos depois, devido a uma briga. Começou a trabalhar ainda criança, na lavoura de algodão. Nunca estudou música, mas desde pequeno gostava de acompanhar os cantadores, chegando a viajar três a quatro léguas para assistir as cantorias. Depois trabalhou como tropeiro e apanhador de algodão. Mais tarde, mudou-se para Fortaleza. Em 1928, mudou-se para o Rio de Janeiro e ingressou no Exército, indo servir no I Regimento de Infantaria da Vila Militar, no Rio de Janeiro, onde formou-se em Enfermagem. Cursou também a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais.

Dados Artísticos
Sua primeira composição, aos 11 anos de idade, motivada por uma desilusão amorosa, mais tarde se tornaria a famosa “Sodade, meu bem, sodade”, sofrendo modificação no ritmo quando ele passou a trabalhar na Rádio Tupi. Em 1938, durante uma apresentação em um show na Feira de Amostras do Rio de Janeiro, Joracy Camargo e Rubens de Assis viram a cantoria de Alfredo Ricardo, que era fiscal de feira. Eles o convidaram, então, para apresentar-se ao lado dos consagrados Sílvio Caldas e Orlando Silva. Cantou, então, para uma platéia de cerca de 20 mil pessoas que vibrou, pedindo para que ele repetisse diversas vezes a embolada “Errou o tiro”, em que debochava do capitão que matou Lampião.

Em 1939, foi convidado por Lacy Martins, irmão de Herivelto Martins, para cantar na Rádio Tupi, adotando, então, o nome artístico de Zé do Norte. Passou a apresentar o programa “Noite da roça”, que lançou diversos artistas e no qual apresentaram-se, entre outros, Alvarenga e Ranchinho e Luiz Gonzaga, este ainda em começo de carreira. Em 1941, começou a trabalhar na Rádio Transmissora Brasileira, atual Rádio Globo, onde apresentou e participou dos programas “Desligue, faz favor” e “Hora sertaneja”.

Tendo trabalhado em diversas estações, teve de afastar-se do rádio em 1942, devido a problemas na garganta que o deixaram afônico. Em 1947, ingressou na Rádio Fluminense. Trabalhou, ainda, nas Rádios Guanabara e Tamoio. Em 1948, lançou o livro “Brasil sertanejo”, com temas folclóricos. Em 1950, gravou o xote “Vamos rodar” e a valsa “Prazer do boiadeiro”, ambas de sua autoria. Na mesma época, foi convidado pelo diretor Lima Barreto para fazer a trilha sonora do filme “O Cangaceiro”. A conselho da escritora Raquel de Queiroz, então roteirista, foi indicado como consultor de linguagem para o mesmo filme.

O filme ganhou o prêmio de melhor filme no Festival de Cannes. Da trilha sonora destacaram-se “Sodade, meu bem, sodade”, gravada com a atriz Vanja Orico, “Lua bonita”, “Mulher rendeira” e o coco “Meu pião”, com referências ao seu tempo de criança. Essas músicas fizeram grande sucesso e chegaram a ser gravadas no exterior. Dedicando-se aos trabalhos do filme, retirou-se do rádio. Em 1953, impetrou ação na justiça contra a empresa cinematográfica Vera Cruz pois o seu nome não foi incluído na apresentação do filme “O cangaceiro” pedindo uma indenização de 300 mil cruzeiros.

Em 1955, Inezita Barroso gravou “Mineiro tá me chamando”, adaptação de Zé do Norte para tema do folclore mineiro. Em 1956, voltou a fazer um programa na Rádio Tupi, a convite de J. d’Ávila, permanecendo, entretanto, por pouco tempo, por não adaptar-se aos programas gravados, já que queria apresentá-los ao vivo. Em 1957, gravou com seu Conjunto Nordestino os cocos “Mudança na capitá” e “Na Paraíba”. No ano seguinte, com o mesmo grupo, gravou o coco “No boero da usina” e a toada “Vaca Turina”. Em 1959, Luiz Vieira gravou o baião “Milho verde”. Nos anos de 1970, o roqueiro Raul Seixas regravou a toada “Lua bonita”. Deixou mais de 100 músicas editadas.

Obra
• Berimbau de baiano
• Cabocla malvada
• Cabra macho é Pernambuco (c/ Alencar Terra)
• Coco de Macaíba
• Estrela d’alva (c/ Alencar Terra)
• Estrela matutina
• Lagoa Javari
• Lamento de Acauã
• Lua bonita (c/ José Martins)
• Meu baraio dois-dois
• Meu curió
• Meu pião
• Milho verde
• Mineiro tá me chamando
• Mistérios da lua
• Mudança da capitá
• Na fazenda do Ingá
• Na Paraíba
• Não me abandones (c/ Zacarias Mourão)
• Náufrago da vida (c/ Goiá)
• No Boero da usina
• Prazer do boiadeiro
• Rock do matuto (c/ Pachequinho)
• Rói… rói…
• Será que eu sou baiano?
• Siri jogando bola
• Sodade, meu bem, sodade
• Três estados
• Três potes
• Tumbalelê
• Vaca Turina
• Vamos rodar
• Zé das Alagoas

Discografia
• (1960) Rock do matuto/Berimbau de baiano • Copacabana • 78
• (1958) No boero da usina/Vaca Turina • Copacabana • 78
• (1957) Mudança na capitá/Na Paraíba • Copacabana • 78
• (1955) Coco de Macaíba/Meu baraio dois-dois • Todamérica • 78
• (1955) Três potes/Será que eu sou baiano? • Todamérica • 78
• (1953) Mulher rendeira/Lua bonita • RCA Victor • 78
• (1953) Meu pinhão/Sodade, meu bem, sodade • RCA Victor • 78
• (1953) Na fazenda do Ingá/Lagoa Javari • Continental • 78
• (1950) Estrela d’alva/Cabra macho é Pernambuco • Star • 78
• (1950) Rói…rói/Zé das Alagoas • Star • 78

 

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