Por Luis Felipe Miguel, professor da UnB, no facebook

Ontem, The Intercept Brasil apresentou evidências de que, levadas a sério, demolem a Lava Jato – que, por sua vez, é um dos pilares nos quais se assentaram o golpe de 2016, a vitória de Bolsonaro e todos os retrocessos associados a ambos.

As notas lançadas ainda ontem pelos implicados (MPF do Paraná e Sérgio Moro), evasivas e cheias de indignação hipócrita, reconhecem o essencial: o material divulgado é autêntico.

Não quero me deixar levar pela empolgação do momento, mas as reportagens do The Intercept Brasil certamente estão entre os pontos mais altos da história do nosso jornalismo.

E o que fazem os três jornalões hoje? Escolhem assuntos aleatórios para suas manchetes principais, colorem as capas com fotos da seleção brasileira (com destaque para a feminina, já que a ordem é ser “moderno”) e esvaziam o caso da Lava Jato o quanto podem.

São pequenas chamadas de capa, com destaque muito abaixo da importância do tema. Trata-se, afinal, de um conjunto de revelações com potencial para redefinir os rumos da república.

Não é por outro motivo, aliás, que os jornalões desidratam sua cobertura. Eles foram e continuam sendo cúmplices da trama.

Folha e Globo enunciam uma das acusações mais graves, a de conspiração entre procuradores e juiz, mas se afastam dela com um “diz site”. Como se fosse uma acusação qualquer, lançada sem provas. O “site” – que é um respeitado site de jornalismo – não “diz”, quem diz são os diálogos que o site revelou e que os próprios implicados não contestam.

Já o Estadão, ainda mais impudico, chama para a capa não o fato, mas a reação das autoridades ao fato. O problema não é a conspiração, mas a denúncia dela.

A imprensa brasileira, além de tudo, é demasiado previsível.

 

Comentários no Facebook

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here