Professor de literatura no Ensino Médio, escritor – cronista e contista –, editor, produtor e agitador cultural, Wellington Soares agora integra um time que conta com ninguém mais, ninguém menos do que Chico Buarque de Hollanda, Augusto de Campos, Raduan Nassar e Chico César. É o único piauiense a participar da antologia Lula Livre/Lula Livro, lançada em julho deste ano na Flip (Feira Literária Internacional de Paraty/RJ), que reúne 86 escritores e cartunistas brasileiros de todas as regiões do País.

O livro também conta com outros autores de peso nacional, como Alice Ruiz, Frei Betto, Xico Sá, Aldir Blanc, Laerte e Eric Nepomuceno, entre outros nomes importantes da cultura brasileira. Com o título Textinho do contra, incluído no projeto Lula Livre/Lula Livro, Wellington Soares fala, por exemplo, “nestes tempos sombrios, quando bichos escrotos, de espécies e colorações variadas, ameaçam nosso futuro, pondo em cela, como se possível, não um homem de carne e osso”, utilizando-se de um jogo de paráfrases no qual dialoga com textos de Mário Quintana, Cecília Meireles, Guimarães Rosa e a banda Titãs.

E completa: “mas um punhado de ideias, de cunho solidário e democrático, hoje referência universal”, sobre o absurdo da prisão arbitrária do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, trancafiado numa cela da Polícia Federal no Paraná. Esse trabalho do professor piauiense se soma a uma série de conquistas acumuladas ao longo de anos dedicados ao magistério e à cultura do estado.

Um dos editores da revista cultural Revestrés e do jornal Balada News, Wellington Soares compartilhou a criação do Salão do Livro do Piauí (Salipi), permanecendo por 10 anos à frente do importante evento literário. Em 1991, publicou seu primeiro livro: Linguagem dos sentidos, reunião de narrativas curtas e densas. Engrossando a obra, depois vieram mais três títulos: Maçã profanada (2003/Conto), Por um triz (2007/Crônica) e Um Beijo na bunda (2011/Crônica).

Depois, o escritor lançou outras três publicações: O dia em que quase namorei a Xuxa (2013/Crônica), Cu é lindo & outras histórias (2016/Crônica e conto), seu livro mais polêmico, e Desenredo (2018/conto). Destaca-se como um dos principais nomes da nova geração de escritores piauienses. Por isso, ele se credenciou para participar da coletânea Lula Livre/Lula Livro, livro-manifesto que agrega, em 184 páginas, contos, poemas, crônicas e cartuns, pela liberdade do ex-presidente e defesa de nossa democracia ameaçada.

Segundo ele, o chamamento partiu do escritor pernambucano Marcelino Freire, um dos idealizadores do projeto, tendo aceito na hora, apesar do tempo exíguo para entregar o conto de 20 linhas. “Foi uma honra receber o convite para fazer parte dessa rebeldia literária, estar junto de artistas que sempre admirei e defender a libertação imediata do Lula”, sintetizou Wellington Soares.

Para os idealizadores do projeto, Marcelino Freire e Ademir Assunção, a coletânea expressa o inconformismo dos autores “que consideram a prisão de Lula uma aberração jurídico-político-midiática, com o objetivo maior de tirá-lo das eleições presidenciais de 2018, cujas pesquisas o colocam em primeiro lugar nas intenções de voto”.

Tanto o livro quanto seus lançamentos, que devem ocorrer em várias capitais do Brasil, incluindo Teresina, objetivam “criar mais um fato de repercussão, a partir da tomada de posição dos escritores, poetas e cartunistas, para engrossar os movimentos nacionais e internacionais contra a farsa da prisão – e o golpe antidemocrático”, da exclusão de Lula do processo eleitoral. Em São Paulo, o lançamento aconteceu nesta segunda-feira 13, no histórico Teatro Oficina, ao qual compareceram vários autores e artistas.

Trata-se, portanto, de material indispensável à compreensão do atual momento histórico, caracterizado pelo retrocesso político, cultural, econômico, social e mental, verificado no Brasil, que teve início com o impeachment em 2016, sem crime de responsabilidade, da presidenta Dilma Rousseff, culminando com a prisão sem provas do ex-presidente em abril deste ano.

Enquanto Lula Livre / Lula Livro não chega às livrarias, nem tem data pra ser lançado em nossa capital, nada melhor que conferir, na íntegra, o Textinho do contra, do escritor piauiense Wellington Soares.

 Todos que estão aí, prestem muita atenção, atravancando seu caminho, ontem e hoje e amanhã, vocês passarão, duro escutar isso, enquanto ele, canalhas duma figa, quem diria, continuará eterno passarinho, livre e solto, como nunca, uma palavra que o sonho humano alimenta, escutem bem, mas que não há ninguém que explique, aqui nem acolá, e ninguém que não entenda, pois sentimento nascido dentro da gente, visceral, que nos leva a atravessar, acreditem ou não, veredas infinitas de tempos e espaços, desde que, importantíssimo frisar, tenhamos garra, vez que a vida exige de nós, todo santo dia, sobretudo dele, coragem redobrada, ainda mais nestes tempos sombrios, quando bichos escrotos, de espécies e colorações variadas, ameaçam nosso futuro, pondo em cela, como se possível, não um homem de carne e osso, mas um punhado de ideias, de cunho solidário e democrático, hoje referência universal, o tiro saindo pela culatra, senhores e senhoras, ele recobrando, em bendita hora, a sábia lição deixada por dona Lindu, sua idolatrada salve, salve, mãezinha: “tem que teimar, filho”, outra coisa não tendo feito o cara, desde 1952, ao fugir da seca do agreste pernambucano, em riba de um pau de arara, a fim de laçar seu destino – sempre incerto e sofrido – com a própria mão.   

 

 

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here