Em média por dia, no período 2016-2017, no Brasil, ocorreram entre 10 e 12 assassinatos de mulheres e mais de 100 estupros (FBSP, 2017). No Piauí, em 2017, 62 mulheres foram assassinadas, sendo 23 feminicídios. Especificamente, em Teresina, a realidade trágica não é diferente. Por exemplo, no início da segunda quinzena de maio – simbolicamente tido como o “mês das mães”, ou “das mulheres”, ou “das noivas” – três mulheres foram assassinadas com requinte de crueldade, cujos suspeitos imediatos são os “companheiros-assassinos” das vítimas.

O fato estarrecedor é que, mesmo com a repercussão midiática imediata, novamente como nos casos passados, as três mulheres assassinadas continuam sendo acorrentadas e revitimizadas, através de comentários desmoralizantes e machistas, que tentam culpabilizar as vítimas por serem vítimas: um processo de idiotização do senso crítico. Quando, de fato, deveríamos nos ater às causas profundas e às circunstâncias das ações criminosas. Ou seja, compreender e intervir nos favores determinantes que perpassam os assassinatos cruéis de mulheres no Brasil – especificamente, no Piauí, em Teresina.

Uma sociedade que naturaliza os assassinatos de mulheres é tão covarde quanto os seus malditos feminicidas, cultuando uma inexistente grandeza do homem, pois nem a natureza nem a cultura os fizeram melhores e superiores. Trata-se, portanto, de uma sociedade de hipócritas e bestializados (CARVALHO, 1987), que destilam a crueldade das suas fobias e frustrações machistas nos corpos e nas vidas das mulheres.

Antropologicamente, onde se convivem com “homens virtuosos” não se tem “mulheres acorrentadas” para chamarem de suas ou tratarem como seus objetos descartáveis. Assim, é fundamental que, mesmo considerando a relevância sociojurídica da Lei Maria da Penha e da Lei do Feminicídio, cada um – com a mesma estupidez que a minha – ouse gritar e se encher de coragem para enfrentar a violência, a perseguição e a morte intencional das mulheres no Brasil. Sem pausa nem privilégios aos malditos feminicidas, pois estes cometem crimes hediondos, ferindo a moral social e, portanto, devem ser reprovados por toda a sociedade.

Sociologicamente, na sociedade onde se estabelece interações sociais com “homens virtuosos” não se admite “mulheres acorrentadas”, nem por brincadeiras de crianças, pois não há adulto ajustado sem criança educada. Politicamente, em sociedades com democracia de gêneros não há homens nem mulheres superiores. Assim, a sociedade brasileira tem que tirar a mordaça que nos cala e nos enclausura no medo de romper com a violência e a morte de mulheres. Para tanto será preciso uma radicalização profunda e inteligente capaz de desconstruir as práticas machistas, desestabilizar a política dos homens, desgovernar os governos de gravatas e despir da toga toda justiça seletiva.

Paralelamente, deve-se propor politicas públicas e sociais para a promoção da igualdade de gêneros e prevenção à violência contra as mulheres. Além de se estabelecer uma cruzada inexorável contra toda forma de revitimização das mulheres violentadas e assassinadas, gerando uma onda de ojeriza aos malditos feminicidas e suas práticas atrozes. Pois, se Deus existe, e é fiel, os “homens de pedra” são pesados demais para subirem ao céu. Por isso, vamos gritar NÃO quantos “NÃO’s” couberem nas bocas e nas frases, para ensurdecer os covardes e servir de bandeja o ostracismo para os malditos feminicidas do Brasil.

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