Através de uma publicação do site Brasil247, fiquei sabendo de artigo que o jornalista Reinaldo Azevedo escreveu para a Folha de São Paulo.

O Brasil247 o resumiu assim o artigo de Azevedo: “Jair Bolsonaro suja a imagem das Forças Armadas e os militares devem pular fora do barco antes que este afunde de vez, adverte o colunista Reinaldo Azevedo, em artigo publicado na sexta-feira. “Acabou a ilusão. A cada dia que os militares, da ativa ou da reserva, permanecem no governo Bolsonaro, as Forças Armadas, como instituição, se degradam. E se sujam com a lama ideológica em que se afunda a gestão. Em vez do amor à pátria, uma pistola 9mm; em vez do hino nacional, uma .45; em vez do patriotismo, o ódio —que alguns pretendem redentor— à democracia”, diz ele, que defende até a renúncia do vice Hamilton Mourão.

Voltem a seus afazeres originais, senhores, longe da política! Se o governo Bolsonaro se afundar na própria indigência intelectual, é importante que estejam prontos a defender a Constituição. Mas prestem atenção a uma advertência ainda mais importante do que essa. Há uma hipótese remota, bem remota, de que o arranjo dê certo. Nesse caso, será ainda mais necessário que os senhores estejam inteiramente dedicados à defesa dos Poderes constituídos. O risco às instituições democráticas seria ainda maior. Se há coisa que sei sobre as almas autoritárias é que o sucesso lhes assanha a sede de… autoritarismo. Vocês decidirão, senhores, com quantos anos de opróbrio as Forças terão de arcar quando terminar essa loucura”, aponta o jornalista.

Minha discordância do Reinaldo Azevedo: não é Bolsonaro que suja a imagem das Forças Armadas. São as próprias Forças Armadas que fazem a ação de sujeira. A candidatura do atual presidente só vingou de fato por conta de intervenções do então comandante das Forças Armadas, General Villas Bôas.

Segundo outro site, o Consultor Juridico, no dia 3 de abril de 2018, véspera do julgamento do Habeas Corpus do ex-presidente Lula pelo Supremo, em sua conta no Twitter, Villas escreveu: “Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do país e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?”

Logo depois, fez um pronunciamento político. “Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais”.

As falas pegaram mal. No próprio julgamento do HC, o ministro Celso de Mello comparou Villas Boas a Floriano Peixoto, segundo presidente da República, que ficou conhecido como “marechal de ferro”  por causa de suas políticas violentas e autoritárias.

Em seu voto no HC, Celso afirmou que as declarações de Villas Boas eram “claramente infringentes do princípio da separação de poderes” e “que parecem prenunciar a retomada, de todo inadmissível, de práticas estranhas (e lesivas) à ortodoxia constitucional”. Celso votou pela concessão do HC, já que Lula estava – e está – preso em cumprimento antecipada da pena a que foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Ainda em novembro de 2018, noutra entrevista à Folha de São Paulo, o general Eduardo Villas Bôas, deu a entender, que pretendia “intervir” caso o Supremo Tribunal Federal concedesse Habeas Corpus ao ex-presidente Lula. “Temos a preocupação com a estabilidade, porque o agravamento da situação depois cai no nosso colo. É melhor prevenir do que remediar”, disse. “É melhor prevenir do que remediar”, resumiu. 

Ora, é o próprio jornalista Reinaldo Azevedo que vem diuturnamente mostrando as injustiças na prisão de Lula. Havia uma tendência de maioria para o HC de Lula mas os meritíssimos juízes deram um passo atrás com o rompante do General.

Hoje o governo deve contar com cerca de 200 militares em seus quadros. O que outros analistas apontam é que eles sabiam da fraqueza de Bolsonaro e julgaram que eleito ele seria controlado pelas Forças Armadas só que eles não contavam com o guru Olavo de Carvalho.

Sei que a Constituição não exige isso, mas com os militares poderia acontecer como com os magistrados. Quando um juiz federal quer disputar uma eleição ou ocupar um cargo público é obrigado a tirar a toga. Como aconteceu com o juiz Sérgio Moro e o governador do Maranhão, Flavio Dino. Os militares querem participar de governos brasileiros fiquem à vontade.

Dispam-se das fardas.

Não foi bem o que fez Bolsonaro.

Ele se diz militar mas a cerca de 30 anos atrás o mesmo Exército que governa o Brasil com ele lhe deu cartão vermelho.

 

 

 

 

 

 

 

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