As grades das televisões brasileiras estão repletas dos ditos “programas policiais”. Redes de televisões, e televisões locais.

São programas especializados em mostrar tragédias humanas. Alguns, o mundo cão.

Estes programas costumam exibir rostos de pessoas envolvidas com a polícia e emitir juízo de valor. Invariavelmente realçam a ação policial e, em muitos casos, desenvolvem relações promiscuas com o aparelho policial a fim de que sejam premiados com “furos” de reportagem.

Se exaltam a polícia, não perdem a chance de discriminar e imputar conceitos pejorativos às pessoas que defendem os direitos humanos.

Um representante clássico deste modelo de programação é o “Brasil Urgente”, da Band, apresentado por José Luiz Datena.

O programa possui uma boa audiência e Datena é um dos grandes salários da televisão brasileira.

Questionar algo que “sai no Datena” é quase impossível. Eu disse quase.

Esta semana, José Luiz Datena e o Grupo Bandeirantes foram condenados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a uma indenização de R$ 60 mil por danos morais a um homem que foi acusado de estupro pelo apresentador, ao vivo.

Acontece que, após investigação, a polícia concluiu que o tal homem era inocente. A decisão saiu no dia 14 de maio, mas ainda cabe recurso, de acordo com o “Uol”.

Na ocasião, Marco Aurélio de Paula teve sua foto e nome completo divulgados no programa “Brasil Urgente”, “atribuindo-lhe culpa pelo crime de estupro”. Foi aberto um inquérito policial contra o suspeito, mas ele foi inocentado.

No processo, o relator – ministro Luís Felipe Salomão – alegou que Datena abusou do direito de expressão usando uma “narrativa sensacionalista”.

“À época, ele não passava de mero acusado sendo, ao final da investigação, absolvido. É evidente que a reportagem transbordou os limites do exercício regular do direito de imprensa”, dizia um trecho da decisão.

Mas aquela valentia que é exibida nestes programas costuma desaparecer em determinadas ocasiões. A Band, e Datena não quiseram se pronunciar sobre o assunto.

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