Paulo Paim é senador da República eleito pelo PT do Rio Grande Sul. No início de agosto passou por Teresina em trabalho da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal falando sobre o projeto de terceirização do trabalho que tramita naquela casa. Piauínossosonhonossoamor conversou com Paulo Paim sobre o quadro político do momento. Confira:
Pensar Piauí – Em 2014, o PT ganhou as eleições com Dilma à frente, mas a sensação que se tem é que de lá para cá o PT e o governo perderam o debate da agenda nacional. Essa é sua impressão, porque isso ocorreu?
Paulo Paim – É inegável que nós estamos num momento difícil. É preciso que o governo e o PT façam uma autocrítica, com humildade, pelo momento que estamos passando. Quando nós optamos pela fórmula do Levi, acho que foi uma formula totalmente equivocada . O Levi todo mundo sabe qual é a visão que ele tem de economia e resultou nisso: aumento da taxa de juro, desemprego, recessão e que isso tudo claro trouxe um descontentamento para o povo brasileiro. Ninguém pode negar que é um momento difícil, mas também não é tudo o que dizem e ainda ganhamos um Congresso mais conversador que o anterior, principalmente a Câmara dos Deputados que vem numa ofensiva forte contra o governo. Por outro, também, não da para negar que toda esta onda de denuncia, de corrupção, abalaram o governo Dilma e nos deixaram fragilizados em relação ao grande debate nacional.
Pensar Piauí – O senhor disse que a opção Levi induziu a isso, porque a Dilma fez a opção Levi, então?
Paulo Paim – Acho que esta pergunta tem que fazer pra ela. Até hoje não entendi. Mas enfim….num primeiro momento ela pode ter entendido que era preciso um ajuste fiscal como defendeu o Levi. E este ajuste foi encaminhado ao Congresso antes do fim do ano, saindo das eleições, outubro, novembro. Quando chegamos ao Congresso estavam lá as duas Medidas Provisórias e houve uma discordância muito grande com o movimento social, tanto que a CUT, que sempre teve uma identidade forte com o governo, foi a primeira Central Sindical a se posicionar contra aquelas duas MPs e eu também fiz o debate contras as medidas e a própria taxa de juros que não vai resolver o problema do país. Por ai, começamos a ter de fato, uma analise critica, sem deixar de ser base do governo, mas sabendo fazer uma critica pontual e construtiva, visando que o governo mude de rumo a sua politica econômica.
Pensar Piauí – O senhor foi eleito pelo mesmo Partido da Dilma, pelo PT, aqueles que fazem uma análise da conjuntura nacional reclamam muito da postura do Partido. Dizem que ele está muito parado, que está amorfo. Porque isto ocorre com o PT?
Paulo Paim – É claro que o PT vive uma crise de identidade. Como você ressaltou a Dilma é do PT, nós elegemos esse governo. Num primeiro momento foi um baque quando nós vimos que mudou o rumo daquilo que nós queríamos. Ficamos como uma nau perdida no oceano dependendo do vento favorável a nós. Com isso, num primeiro momento, deu um desencontro em relação a tudo que pensávamos que poderíamos fazer ainda neste governo. Nós fizemos muito, multiplicamos por 10 o numero de universidades; saímos de 20 milhões de carteiras assinadas para 40 milhões; o salário mínimo saiu de 60 dólares para mais de 300 dólares; criamos o PRONATEC, criamos a politica de cotas para negros, índios e pobres, a indústria brasileira deu um grande salto de qualidade. Enquanto na Europa os países estavam em decadência, da para lembrar da Grécia, Portugal, Espanha, e mesmo os EUA, nós continuamos crescendo. Esse era o quadro que havia sido pintado para que o povo brasileiro visse. A partir do momento que houve essas mudanças profundas, claro que o PT começa a fazer uma análise desta situação e mesmo uma autocritica com alguns erros que foram cometidos até chegarmos neste momento.
Pensar Piauí – Vamos passar agora para agosto de 2015 e a coisa fatídica que o mês traz. Brasília vive um turbilhão neste mês, Dilma tentando se segurar e o presidente da Câmara por outro lado com uma postura bem agressiva, como terminaremos agosto?
Paulo Paim – Aí só Deus sabe, mas acho que passaremos agosto tendo prevalecido o bom senso. O que precisamos é dialogar, executivo, legislativo e o próprio judiciário, sem significar botar para baixo do pano qualquer tipo de equivoco seja de quem for. Temos que buscar uma saída para o povo brasileiro e neste aspecto a palavra de ordem é conciliação, dialogo, entendimento
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